A maturidade e as reflexões que ela traz
Anete Lacerda | 27 de agosto de 2026 |
Já passei dos 15 anos faz tempo. Às vezes, graças a Deus. Em outras, que pena. O lamento é porque, com a chegada da "envelhescência", não é apenas o corpo que muda de ritmo.
Mudam o olhar, as escolhas, as prioridades e, principalmente, a capacidade de nos desligarmos daquilo que um dia ocupou o centro das preocupações e nos fez sofrer, provocou ansiedade ou alimentou expectativas que nunca se cumpriram.
E é incrível como, apesar das limitações impostas pela idade, a maturidade nos conduz por esse caminho sem volta, com novas possibilidades e muita luz antes do fim do túnel da vida.
Aos poucos, deixamos de depender da validação dos outros para viver. Ela já não nos define. Também não precisamos e, muitas vezes, já não permitimos, que outras pessoas apontem a rota que devemos seguir.
E se a validação continua importante para outras mulheres que, como eu, já passaram dos 15, talvez seja hora de dar um basta e tomar as rédeas da própria história.
É tempo de deixar ficar apenas aquilo que faz sentido. As paixões que valem a pena. As pessoas que acrescentam. As escolhas que combinam com quem nos tornamos e com o que desejamos para essa nova vida.
Isso não significa que empatia e solidariedade devam morrer. Ao contrário. Essas precisam ser eternas, porque são elas que fazem a vida valer a pena.
Acredito que ninguém deveria passar por este mundo sem somar, sem fazer diferença na vida de alguém. Utopia? Ilusão? Pretensão? Talvez.
Mas, teimosamente, continuo insistindo nos caminhos que podem conduzir ao bem-estar coletivo. E disso eu não abro mão.
O que quero, cada vez mais, é que a vida, independente das escolhas, seja leve. Porque, a essa altura, leveza importa. É essencial. Para mim, fundamental.
É certo que a mulher que envelhece enfrenta etarismo, olhares preconceituosos, palavras indelicadas e, às vezes, até a tentativa de convencimento de que o nosso tempo já passou.
E quer saber? Não estou nem aí. Não mais. Cheguei à conclusão de que é libertador deixar algumas coisas, opiniões e pessoas tóxicas para trás.
As que não somam, noves fora, nada. Então não contam. Mulheres maduras aprendem muito ao longo da vida. Errando, acertando, recomeçando, chorando, rindo, se reinventando, ganhando e perdendo.
Depois de tudo isso, não faz muito sentido continuar sendo refém da opinião ou da vontade alheia. Como diria meu pai: se é alheia, que a pessoa aplique à própria vida. Bem simples, né?
Hoje tenho uma convicção que se fortalece a cada amanhecer: envelhecer não é uma sentença de morte. É apenas mais uma etapa da vida. Fácil? Definitivamente não.
Como diria o conterrâneo Roberto Carlos, é preciso saber viver.


